As incríveis peripécias de nossas vidas medíocres!


Querer é poder!

Quando eu era pequena, queria muito uma boneca “pretinha”. Acho que foi a primeira boneca negra que eu vi. Fiquei encantada e fui logo pedindo pra minha mãe:

– Mãe! Compra uma boneca pretinha pra mim?

– Não dá filha, eu não tenho dinheiro.

Fiquei com dó dela e nem de insisti.

Na semana seguinte, fomos na festa de final de ano da agência de publicidade onde ela trabalhava. A primeira coisa que eu fiz foi procurar o chefe da minha mãe e logo descobri que ele se chamava Cacá.

– Oi! Você que é o Cacá?

– Sou eu sim, por que?

– Eu sou Amanda, filha da Mercês e eu vim falar com você pra pedir um aumento pra ela porque ela ganha muito pouco e não pode comprar uma boneca pretinha pra mim.

Ele morreu de rir e a minha mãe, que vinha logo atrás, morreu de vergonha! Afinal, como explicar para o chefe que uma menina de 3 anos tinha tirado aquela idéia da própria cabeça?

A nossa sorte é que o Cacá era muito legal:

– Sabe Amanda, eu tive uma idéia melhor: ao invés de eu dar um aumento pra sua mãe, você vai trabalhar pra mim e o seu cachê vai ser uma boneca pretinha.

Topei na hora!

No dia seguinte, fui para a agência trabalhar. O trabalho era fácil: eu tinha que tirar uma foto para o folheto das balas Apache, da Ice Kiss. Logo na primeira foto eu abri a boca e coloquei a língua para fora com bala e tudo. Minha mãe ficou louca da vida e mandou eu me comportar.

– Onde já se viu mostrar a língua, minha filha?!

– Uai, mãe, é pra mostrar a bala!

– Não precisa mostrar a bala!!!! É só fazer cara de “ai que bala gostosa!”.

Obedeci.

Adivinha qual foi a foto escolhida?

Pois é! O folheto foi feito com a foto da língua de fora e eu fui pra casa com a minha boneca pretinha, feliz da vida!

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Frases ao vento
21 de janeiro de 2010, 22:05
Filed under: Devaneios, Lembranças, Rir é o melhor remédio | Tags: ,

Passa mel.

A chave aparece por si só!

Firma este corpo!

Cada um tem o seu!

Não entendeu nada?

5 muito!



O melhor presente
22 de agosto de 2009, 00:19
Filed under: Família, Lembranças, marido, Poesia? | Tags: , , , , ,

Minha mãe sempre me disse que o ipê amarelo só passou florecer depois que eu nasci. É o jeito dele de me dizer “Oi! Seja bem vinda!”. Pedi para meu marido tirar uma foto de um, para eu postar por aqui no dia do meu aniversário. Pra variar, ele esqueceu. Então achei essa foto aqui e eu mesma me dei de presente. Olha só que lndo!

Ele pode ter feito pouco caso, mas a natureza nunca se esquece do meu melhor presente!

Ele pode ter feito pouco caso, mas a natureza nunca se esquece do meu melhor presente!



Saudades
6 de agosto de 2009, 23:47
Filed under: Lembranças | Tags:

Eu sinto saudade.

Muita saudade! Saudade de muita coisa, de muita gente, de muitos lugares, de muitas épocas.

Então, pra matar a saudade, resolvi fazer uma lista das saudades que eu sinto de pessoas, coisas e lugares de uma determinada época. Quem sabe você não compartilha dessa nostalgia comigo?

INFÂNCIA:

Sinto saudade da minha mamadeira, de dormir na sala e acordar no quarto (como num passe de mágica), saudade do “brincador” de Ribeirão, da Mariluce, do Vita e Pax, da Escola Castelinho, de ir ralando o dedo na parede de chapisco de casa até a escola, da minha camisetinha da ziggy, do Fusca, do Mateus, do Guilherme e do Rafael, dos filhos do Demi, da chácara da Vó Antônia e do Vô Fausto, de Dip ‘n Lick, dum sorvete que tinha animaizinhos desenhados (tipo chup-chup industrializado), da minha fase cor-de-rosa, das brincadeiras (de absolutamente todas elas), da minha avó penteando o meu cabelo, da minha avó contando histórias para mim, da minha avó fazendo cural e escrevendo o meu nome com canela em cima, da minha avó cantando “Acorda Maria que é dia…” e levando café da manhã na cama para mim, do Balão Mágico, da Xuxa, de dormir a tarde, de roubar areia no parquinho, de fazer amizade com qualquer um em 5 minutos (Oi! Meu nome é Amanda. Como você se chama? Você quer ser meu amigo?), de rodar até ficar tonto, de pular do balanço, de balançar, de nadar com o Popó e com a Fê na piscinda do Sítio, da minha primeira monitora, da casa de madeira, das temporadas, da Fê e do Popó daquela época, de ficar brincando de não deixar a bexiga cair no chã no corredor da casa da minha avó, de brincar de casinha com a Fê, de brincar de Barbie, da casa da vila, de descer para brincar, do Play Center, do The Waves, da Burdog, da Playland do Eldorado, da Petistil, do buraco do tatu, de balançar na rede com a Fê na casa da minha avó…

ADOLESCÊNCIA:

Da Helô, do Diego, do Thalles, do Pedro (meu primeiro namorado), do meu quarto, das minhas fotos, das viagens, do “domingão bebedeira”, do meu corpo, da minha escola, de ouvir walk man e tomar Tuiubaína com a Fê no Carroção, de passar a noite em claro, de ver o “por do sol” (que na verdade era ver o sol nascer) no Projeto Geográfico, do Reveillon no Sítio, do Porpeta, da Tânia, das temporadas, do Guilherme Pela, do Kito, do Luquinhas, do João, da Elke, do Fabinho, dos bailinhos, das festinhas, das baladas, das loucuras, de aprender a dirigir, da criatividade, do óscio, da esperança, do bom humor, do Paiol, do Bandeirantes, de andar de metrô, de não ter que me preocupar com nada, de zoar muuuuuito, da 7ª série, de ficar vendo estrela cadente, de dormir todo mundo junto, amontoado, de ficar lesada na varanda do refeitório depois do almoço, do Geraldo, do Tatu, do Thiaguinho, da Bruna, da Marjoes, da Gi, de Lençois, do Duska, do Marcinho, do Otávio, de Tatuí, do Yuri pequeno, da viagem de formatura do 3°colegial, de Buzios…

FASE ADULTA:

Faculdade, Larissa, Juju, Aline, Diego, Helena, baladas da psico, Juquehy only womens, Piranhas, Bananas, ir pra Tatuí no final de semana, de sair de 2ª a 2ª, da chácara, da Ana Laura, de receber várias pessoas em casa, do Choupana, do meu ap no Anchieta…

Por enquanto é só, mas com certeza eu vou aumentar a minha lista de saudades. Se você quiser, você pode me ajudar!



Pimenta no suco dos outros é refresco.

Quando eu trabalhava com adolescentes em conflito com a lei, eles colocaram pimenta no garrafão de suco dos agentes de segurança. O chefe de segurança estava contando para o diretor de segurança, indignado, e levou a maior bronca. Afinal, se os meninos conseguiram fazer isso, era porque os agentes não estavam fazendo o trabalho deles direito. Ou seja: não estavam de olho dos meninos.

Depois, ele veio me contar o caso todo, mais indignado ainda. Não me contive, e morri de rir.

– Olha, você me  desculpa, mas a única frase que me vem à cabeça é: “Pimenta no suco dos outros é refresco”!



Você dorme de dia?
28 de maio de 2009, 15:54
Filed under: cultura, Família, Lembranças, Uncategorized | Tags: , , , , , , ,

Minha avó é uma fofa! Ela é, com certeza, uma das pessoas que eu mais amo no mundo. Disputa o primeiro lugar com meu filho, meu marido, minha mãe e minha Tia Beth. Gosto muito, muito mesmo, de todos eles!

Minha mãe, minha avó e minha tia Beth são MUUUUUITO importantes pra mim, porque foram elas que me educaram e me suportaram – em todos os sentidos da palavra – a vida inteira.

Há mais ou menos um ano atrás, minha avó, com mais de 90 anos, veio com a minha tia Beth me visitar aqui em BH. É muuuito longe. Cansa muito, mesmo de avião, ainda mais quando se tem mais de 90 anos de idade!

Enfim, ela ficou exausta e acabou tirando um cochilo a tarde.

Até ai tudo bem, pelo menos para qualquer pessoa normal. Mas, acontece que, na minha família, dormir de dia é quase que um sacrilégio. E, adivinha quem instituiu isso? D. Ruth, minha querida avozinha que, há algum tempo, anda bem esquecida das coisas mais recentes.

Logo que ela acordou, arrumou os pentinhos que seguram seu cabelo e me perguntou:

– Você dorme de dia?

Respondi que não – não sou nem louca de dizer que sim.

– Eu também, nunca dormi de dia.

Passaram-se 5 minutos e ela:

– Você não dorme de dia?

– Não.

– Eu também, nunca dormi de dia.

Acho que ela estava afim de dormir de novo, estava cansada, exausta, mas não podia “entregar os pontos”. Então quando ela perguntou de novo eu decidi mudar a resposta, pra ver se ela mudava a dela também.

– Você dorme de dia?

– As vezes, quando eu estou muito cansada, eu durmo de dia. E você? Dorme de dia?

– Eu não!

– Por quê?

– Ah! Eu não gosto, sinto que estou perdendo tempo. Só gente a toa dorme de dia. Eu não durmo de dia. Nunca dormi!

Isso virou uma brincadeira entre nós, aqui em casa, que ainda temos dificuldade para dormir de dia.

Fico contente por minha avó poder dormir de dia sem culpa, mas fico triste por ela nunca ter se permitido isso.

Fico triste por ela estar perdendo a memória, mas fico contente por ela poder se reinventar a cada minuto.

Vó: sigo seus passos e aprendo com a senhora todos os dias, mesmo a distância.

Por isso mesmo eu aprendi que, as vezes, é MUUUUITO bom dormir de dia. E você, que “perde” seu tempo precioso lendo este texto, dorme de dia?



A origem do preconceito
16 de maio de 2009, 21:38
Filed under: Desabafo!, Lembranças | Tags: , , , , ,

Quando eu tinha uns 5 anos, fui ao supermercado, a pé, com a minha prima, 7 anos mais velha.

Durante o percurso ela ia me advertindo:

– Cuidado com o ladrão!

– O que é ladrão?

– São esses pretinhos que ficam na rua.

Não entendi nada. Olhei para todos os lados, não achei nada que se encaixasse em “pretinhos que ficam na rua”  e perguntei:

– Que pretinhos?

– Esses pretinhos que ficam na rua!!!! – ela respondeu impaciente.

Olhei para o chão e vi um monte de pontinhos pretos. Eles me pareciam inofensivos. Como e por que ter cuidado com eles?

– Para de olhar!!!

Parei de olhar o chão imediatamente. Fui o caminho todo temendo aqueles pontinhos pretos sem saber ao certo por que.

Esses dias lembrei dessa história e só agora fui  entender o que eram os “pretinhos que ficam na rua”. Obviamente não tenho medo deles, não tenho medo de gente! Só de algumas.Tenho medo de pessoas como a minha prima que, alienadas disseminam o preconceito e pioram a sociedade. Tenho medo das pessoas que exploraram os escravos e das que exploram, ainda hoje, os menos favorecidos – geralemente negros por uma questão histórica, e não racial.

Mas uma coisa me tranquiliza: não sou e nunca serei como essas pessoas!

É uma questão de PRINCÍPIO!