As incríveis peripécias de nossas vidas medíocres!


Chá de Bebê

– Yuri, sabado nós vamos na casa do Coquico.

– Por quê?

– Porque vai ter chá de bebê.

– Uai, mãe! Todo chá é de beber!



Sobre a maternidade

Esses dias cheguei à conclusão de que a maternidade é algo visceral: se você ficar pensando muito, ela não acontece!

Afinal, quando temos tempo não temos dinheiro e quando temos dinheiro não temos tempo.

Por isso, se você quer muito ser mãe, estipule um prazo,e prepare o ninho até lá.

O meu é 2011.

Mas… quem sabe?



O que você quer ser quando crescer?

Quando eu era pequena, sempre que me perguntavam o que eu queria ser quando crecesse, eu respondia:

– Doméstica!

Todo mundo morria de rir. Até hoje acho isso um absurdo.

Meu filho, que hoje em dia leva o lixo pra fora todos os dias, queria ser lixeiro. Na verdade ele ficava na dúvida entre lixeiro e “correrista” (atleta), mas rapidamente decidiu que seria lixeiro porque “todo lixeiro é um pouco correrista”. Teve a fase em que ele dizia que, quando crecesse, gostaria de ser aposentado!

Ontem, enquanto eu arrumava a cozinha, reclamando sem parar, porque NINGUÉM me ajuda e ainda fazem a maior bagunça, meu marido lança:

– Uai, você não queria ser empregada doméstica? Pois é! Sonho realizado!

Só olhei bem feio pra ele e não disse nada. Ele, rei do sarcasmo, continuou…

– E o Yuri? Não queria ser lixeiro? Pois é! Mais um sonho realizado! Vocês deviam me agradecer!

Não aguentei ficar quieta e perguntei:

– E você? O que queria ser quando era pequeno?

– O que eu sou hoje! Músico e dono de estúdio.

– Ah! Fala sério! Com 3 anos você já sabia o que iria ser?!

– Ah! Tá, com 3 anos eu queria ser astronauta!

– Pois então está explicado! Mais um sonho realizado!

– Como assim?!!! Eu não sou astronauta!

– Mas vive no mundo da lua!



Criado mudo
7 de junho de 2009, 21:52
Filed under: Família, filho, Gracinhas, Rir é o melhor remédio | Tags: , , , , ,

Esses dias, minha mãe foi comigo buscar o Yuri na escola. Já no carro ela perguntou:

– E aí, Yuri? Como foi seu dia hoje?

– Ai, vó, que saco! Porque você fica perguntando tudo? Enchendo o meu saco?!

– Nossa Yuri! Não precisa ser grosso!

– Mas tudo você quer saber, fica falando sem parar, só enche o meu saco!

– Credo Yuri! Isso é jeito de falar com a sua avó? Ela só quer saber como foi o seu dia!

– Não, Amanda, deixa. Ele anda assim mesmo…A gente tem que servir o mocinho, na hora que ele quer, mas não pode falar nada!

– Ah! Tá, tipo criado mudo mesmo, né Yuri?!



Você dorme de dia?
28 de maio de 2009, 15:54
Filed under: cultura, Família, Lembranças, Uncategorized | Tags: , , , , , , ,

Minha avó é uma fofa! Ela é, com certeza, uma das pessoas que eu mais amo no mundo. Disputa o primeiro lugar com meu filho, meu marido, minha mãe e minha Tia Beth. Gosto muito, muito mesmo, de todos eles!

Minha mãe, minha avó e minha tia Beth são MUUUUUITO importantes pra mim, porque foram elas que me educaram e me suportaram – em todos os sentidos da palavra – a vida inteira.

Há mais ou menos um ano atrás, minha avó, com mais de 90 anos, veio com a minha tia Beth me visitar aqui em BH. É muuuito longe. Cansa muito, mesmo de avião, ainda mais quando se tem mais de 90 anos de idade!

Enfim, ela ficou exausta e acabou tirando um cochilo a tarde.

Até ai tudo bem, pelo menos para qualquer pessoa normal. Mas, acontece que, na minha família, dormir de dia é quase que um sacrilégio. E, adivinha quem instituiu isso? D. Ruth, minha querida avozinha que, há algum tempo, anda bem esquecida das coisas mais recentes.

Logo que ela acordou, arrumou os pentinhos que seguram seu cabelo e me perguntou:

– Você dorme de dia?

Respondi que não – não sou nem louca de dizer que sim.

– Eu também, nunca dormi de dia.

Passaram-se 5 minutos e ela:

– Você não dorme de dia?

– Não.

– Eu também, nunca dormi de dia.

Acho que ela estava afim de dormir de novo, estava cansada, exausta, mas não podia “entregar os pontos”. Então quando ela perguntou de novo eu decidi mudar a resposta, pra ver se ela mudava a dela também.

– Você dorme de dia?

– As vezes, quando eu estou muito cansada, eu durmo de dia. E você? Dorme de dia?

– Eu não!

– Por quê?

– Ah! Eu não gosto, sinto que estou perdendo tempo. Só gente a toa dorme de dia. Eu não durmo de dia. Nunca dormi!

Isso virou uma brincadeira entre nós, aqui em casa, que ainda temos dificuldade para dormir de dia.

Fico contente por minha avó poder dormir de dia sem culpa, mas fico triste por ela nunca ter se permitido isso.

Fico triste por ela estar perdendo a memória, mas fico contente por ela poder se reinventar a cada minuto.

Vó: sigo seus passos e aprendo com a senhora todos os dias, mesmo a distância.

Por isso mesmo eu aprendi que, as vezes, é MUUUUITO bom dormir de dia. E você, que “perde” seu tempo precioso lendo este texto, dorme de dia?



É errando que se aprende!
6 de maio de 2009, 20:31
Filed under: Desabafo! | Tags: , , ,

Posso ter errado na escolha do pai do meu filho, mas não poderia ter escolhido padrastos melhores!



É preciso investir em educação!

Outro dia, fui comprar uma forma com fundo removível em uma loja que vende de tudo. Na porta, havia um menino pedindo cadernos e material escolar para as pessoas que entravam na loja:

-Ô moça, será que você não compra um caderno pra mim? Se não der, pode ser lápis, borracha, caneta, qulaquer ajuda serve.

Aquilo me impressionou! Imediatamente me esqueci da forma que havia ido comprar e gastei quase todo o dinheiro que eu tinha em material escolar para o menino.

-Como você chama?

-Marlon.

-Marlon, você não quer vir escolher o caderno?

-Não precisa. Qualquer um quer for do seu gosto está bom pra mim..

Pela primeira vez na vida, fiquei feliz em ser assistencialista.

Entreguei o caderno e o material para o menino e percebi que ele estava juntando material escolar.

-Uai! Você está fazendo um estoque?! – perguntei indignada.

– Não, esses daqui são para os meus irmãos, falta um tanto ainda…

-Ah! Bom.

Cheguei no carro toda contente!

-Cadê a forma – meu marido perguntou sem paciência.

-Não comprei, dei o dinheiro para o menino comprar caderno.

-Você é uma boba mesmo….

-Por quê?!

-Porque o menino tá juntando material às nossas custas pra vender depois.

-Ah! Será?! Não posso acreditar numa coisa dessas…

O tempo passou e as aulas começaram. Meu filho, de 12 anos, passou a ir de ônibus SOZINHO para escola. Todos ficamos contentes e orgulhosos. Afinal, ir de ônibus para a escola só apresentava vantagens: a gente poderia dormir até mais tarde, ele criaria independência, aprenderia a andar de ônibus, emagreceria…

Porém, na segunda semana, meu filho foi assaltado.

Ele me ligou chorando, e contou que haviam levado TODO o material escolar. FIQUEI MUUUUUUITO PUTA! Muito mesmo! Quando mexem com o filho da gente, a gente vira bicho! Virei um bicho mais bravo quando lembrei que o material era novinho, que eu havia comprado com o MAIOR sacrifício e que muita coisa eu ainda nem tinha pagado. Me deu vontade de resgatar o material a tapa.

Então, meu filho contou que havia sido roubado por um homem, de moto!

É muita covardia! Um cara, de moto, roubando o MATERIAL ESCOLAR de um menino de 12 anos! FRANCAMENTE!!!

-Clama mãe, a única coisa que é foda é o livro de português, que foi caro e você ainda nem pagou; e a mochila, que era novinha. Porque o resto, era tudo velho mesmo…O foda é que você vai ter que comprar tudo de novo.

-Pois é, pelo menos isso tem de bom: você vai ter material novo, de novo.

Gostaria de acreditar que o moço, desesperado por não ter dinheiro para comprar material para os filhos dele, assaltou o meu. Porém, a gente sabe que quem tem este tipo de desespero, sempre tem esperança, sempre encontra um jeito – como o Marlon encontrou para continuar a estudar. Desespero assim, tão urgente, tão sacana, tão sem fim, infelizmente, só tem um nome: crack.

É preciso investir na educação! Caso contrário, cada vez mais, gente vai ter medo de gente.